Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor


Título original: Practical Magic 2 | Direção: Susanne Bier | Ano: 2026
A história de amor e maldição que envolve as irmãs Owens cativou o público no filme dos anos 90 e, até hoje, se mantém como um clássico do romance e da fantasia. No entanto, o retorno dessa narrativa não traz grandes surpresas, entregando uma trama previsível e um tanto ingênua.
Nesta continuação, acompanhamos novamente Sally e seus dilemas com a maldição familiar. Após perder outro grande amor, ela decide apagar da memória das filhas qualquer vestígio da magia que lhes é nata. As garotas crescem como pessoas comuns, sem saber dos próprios poderes. A verdade, contudo, vem à tona quando Kylie se apaixona e seu amado sofre um acidente que o deixa em coma. Para salvá-lo, a maldição precisa ser quebrada.
Até aí, a estrutura funciona: a filha se revolta contra a mãe e parte em uma jornada de resgate, enquanto Sally e Gillian vão atrás da jovem, dando início à aventura entre irmãs.
O problema é a mudança de tom. Enquanto no primeiro filme a magia surgia de forma orgânica, com uma montagem fluida que valorizava a espontaneidade, esta sequência força um ar descontraído e "engraçadinho". O roteiro acaba pesando nas falas expositivas e piadas repetitivas que se tornam cansativas.
A química entre Sandra Bullock e Nicole Kidman continua excelente, e o longa acerta ao explorar mais a relação das duas. No entanto, mesmo interpretando mulheres maduras, em vários momentos elas agem como adolescentes, trocando provocações bobas e tropeçando em situações atrapalhadas.
Essa abordagem gera um desequilíbrio constante. Mesmo em cenas que pediam suspense, a direção insere alívios cômicos que quebram a tensão necessária. O filme original, embora focado no drama familiar, entregava momentos genuínos de medo, como a marcante cena da possessão. Aqui, apesar de a ameaça ser em maior escala, não há nada no mesmo nível de suspense.
O vilão é outro ponto desperdiçado. Ele possui um contexto interessante, que poderia trazer novas nuances à história da linhagem Owens, mas tudo é resolvido de forma rasa e apressada. Para completar, o romance, que sempre foi um pilar da franquia, ganha um tom tão marcado que beira o meloso.
O longa até tenta se apoiar na ideia de sororidade, com o mote de que juntas as mulheres são mais fortes. No entanto, não há diversidade no elenco nem uma abordagem realmente nova em relação ao primeiro filme. E o discurso que prevalece se apoia na heteronormatividade e no conservadorismo. E no fim das contas, passa longe de ser um filme com grande mensagem feminista: é apenas um romance divertido, mas bastante simplório.




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